Auditoria dos controles internos é a saída para pequenas e médias empresas.

Recentemente surgiu uma dúvida em um dos grupos que participo: é possível proceder uma auditoria de controle interno em uma pequena empresa? Este procedimento diferencia-se da auditoria das demonstrações financeiras, que é de competência restrita aos contadores, e em sua grande maioria onerosa e inviável a este público. Contudo este ainda é um tabu encontrado na prática da gestão, que no meu entendimento, pode ser dimensionado para atender uma pequena operação. Diante deste, compartilharei um pouco do que considero importante observar nesta rotina, sem naturalmente ter a pretensão de fechar este vasto e interessante assunto.

 

Temos algumas rotinas principais como: as contas a pagar e a receber, tesouraria, caixa diário e gerencial, operações com cartões de crédito e débito, conciliação bancária, controle de estoque e notas fiscais de entrada, emissão de cupom ou nota fiscal de venda. Nas operações bancárias temos uma vasta gama de opções, tais quais: boleto, antecipação de duplicatas, cheques ou antecipação de cartões; empréstimos, etc., apesar de pequena a empresa, temos um volume considerável de documentos a serem conferidos.

 

Quando a empresa atinge a “velocidade de cruzeiro”, muita coisa fica para trás, cliente ligando, propostas para aprovar, negócios a fazer, produtos para entregar. É nesta hora que os controles vão ficando para depois, não raramente perdem a eficiência eeficácia, não gerando mais informações de qualidade, e os detalhes, quem irá se preocupar? Pois o foco não é vender e receber?

 

A conferência das operações de arrecadação é primordial à sobrevivência do negócio. Já observei nestes trabalhos grandes volumes de vendas de cartões não depositados em conta, alternância do registro de débito por crédito, cobrança de taxa administrativa diferente da contratada, migração de venda em dinheiro por cartão, na sua maioria por falta de atenção.

 

Nos estoques a observação tem ser redobrada, com o advento do SPED, a escrituração fiscal ali se inicia, gerando informação para toda a empresa, alimentando todos os controles essenciais da operação.

 

Sem sombra de dúvida quem faz não deveria conferir, o salvaguardo do patrimônio da empresa passa pelos controles administrativos e financeiros, a sua manutenção periódica com a análise da sua qualidade, possibilidade de melhorias e revisões. Essas ações teriam que ser uma prática de sobrevivência para a empresa, infelizmente, alguns empresários vem a buscar este tipo de serviço quando a deficiência ou perda está latente.

 

A pequena e média empresa figura como um dos grandes pilares da economia, a inclusão da cultura do controle interno, seja ele com pessoal próprio ou terceirizado, tende a balizar a qualidade da gestão e nortear a cultura gerencial, que com um olhar treinado, vem a gerar no contexto da pequena empresa novas práticas, desviando do seu caminho o estigma da falta de planejamento, que tem sido a sentença de morte de um grande número de empresas que se aventuram no mercado sem se munir das ferramentas adequadas ao sucesso.

 

Sérgio Aragão é consultor empresarial, especialista em gestão empresarial, contabilidade, controladoria e finanças. 

 

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